
Muitas vezes, quando penso que o dia de sábado já não tem nada a oferecer e que a única alternativa para fechar com chave de ouro uma tediosa semana é tentar dormir assistindo algum lixo da madrugada na TV, sou surpreendido por algum evento empolgante, inusitado e até engraçado.
No final de semana passado ocorreu um desses casos. Eu havia relutado durante horas a idéia de retornar a São Paulo no sábado, principalmente porque trabalhei nesse dia até as 22:00 e...puta merda! depois do trampo sinto-me sugado, a única coisa que quero é ouvir uma boa música, quem sabe o albúm Marquee Moon do Television? ou Brilliant Corners do Thelonious? Algumas cervejas geladíssimas, com certeza, que me deixa no ponto para o ato mais prazeroso do dia:...mijar depois de um porre e dormir com o maldito televisor ligado.
Porém, não sei o porquê daquilo mas de uma hora pra outra senti um tremendo mal estar, algo me dizia que deveria retornar a SP de toda forma. Puta que pariu! Vasculhei a carteira e exatos doze míseros reais me aguardavam, faltava um real e cinquenta centavos para completar o custo da passagem. Que merda! terei que ficar nessa porra de Bragança Paulista mesmo? Mas quando estava acostumando-me com essa idéia eis que avisto três garrafas de cerveja vazias ao lado da cama, e lembrei que havia comprado os vasilhames pois no momento em que passei defronte ao bar não estava com os vasilhames vazios, mas combinei com o atendente de devolvê-los e receber o dinheiro referente aos mesmos devolta. Eureka! devolvi as garrafas vazias e recebi cinco reais.
É eu sei...é uma merda ficar duro.Deve ser tão ruim quanto foder cu de gato. Mas pelo ao menos resolvi meu problema do momento e retornei a São Paulo.
No final de semana passado ocorreu um desses casos. Eu havia relutado durante horas a idéia de retornar a São Paulo no sábado, principalmente porque trabalhei nesse dia até as 22:00 e...puta merda! depois do trampo sinto-me sugado, a única coisa que quero é ouvir uma boa música, quem sabe o albúm Marquee Moon do Television? ou Brilliant Corners do Thelonious? Algumas cervejas geladíssimas, com certeza, que me deixa no ponto para o ato mais prazeroso do dia:...mijar depois de um porre e dormir com o maldito televisor ligado.
Porém, não sei o porquê daquilo mas de uma hora pra outra senti um tremendo mal estar, algo me dizia que deveria retornar a SP de toda forma. Puta que pariu! Vasculhei a carteira e exatos doze míseros reais me aguardavam, faltava um real e cinquenta centavos para completar o custo da passagem. Que merda! terei que ficar nessa porra de Bragança Paulista mesmo? Mas quando estava acostumando-me com essa idéia eis que avisto três garrafas de cerveja vazias ao lado da cama, e lembrei que havia comprado os vasilhames pois no momento em que passei defronte ao bar não estava com os vasilhames vazios, mas combinei com o atendente de devolvê-los e receber o dinheiro referente aos mesmos devolta. Eureka! devolvi as garrafas vazias e recebi cinco reais.
É eu sei...é uma merda ficar duro.Deve ser tão ruim quanto foder cu de gato. Mas pelo ao menos resolvi meu problema do momento e retornei a São Paulo.
A viagem é breve, ou melhor, deveria ser. O percurso que não passa de uma hora e dez minutos consumiu mais de duas horas, só sei que dormi e quando acordei já estava na estação Tiête do mêtro ouvindo velhos e mulheres a reclamar sobre a lerdeza do motorista e enquanto formavam a fila para descer do ônibus resmungavam pelos cantos. Uma gorda que trajava um vestido floral enorme, que mais parecia o antigo lençol de minha cama da época em que era casado, repetia aos quatro cantos que o motorista se perdeu em um dos cruzamentos antes do aeroporto de Guarulhos. Na hora falei comigo mesmo: "taí três coisas que combinam - velhos, filas e gordas que apurrinham a paciência a todo tempo."
Esperei todos descerem e segui meu destino. Conferi a hora. Puta merda! o filho da puta se perdeu mesmo, chegarei por volta das 02:00 em casa. Tudo bem, quem se importa?Lá pelas 01:10 estava no bairro dos meus familiares na periferia de SP. E podem acreditar...passe o tempo que for tudo por ali continua do mesmo jeito. As mesmas figurinhas perambulando pelas ruas fétidas, dando rasante de moto ou pisando em cocô de cachorro, por vezes até em bosta de cavalo ou sei lá de quem. O fato é que deve-se andar com cuidado por entre aquelas ruas para não carimbar o tênis com a merda de quem quer que seja.
Próximo ao quarteirão do meu destino começo a ver de longe uma silhueta acompanhada de um cachorro. Por alguns metros ainda sem identificação essa silhueta vinha ao meu encontro, sob a luz fraca dos postes, e levando-se em consideração que vários deles estavam com as lâmpadas quebradas identificar alguém a dois metros de distância naquela circunstância era uma tarefa difícil. Mas percebi que era algum velho conhecido, tinha algo familiar no andar desajeitado, no corpo desproporcional que gingava como que se os membros superiores e inferiores fossem algo totalmente a parte do tronco e do restante todo do conjunto.
O cachorro à medida que a distância diminuia tornava-se cada vez maior e mais assustador, percebi que era um pit bull e o que era pior estava sem nenhuma corrente ou mordaça, apenas seguia fielmente cada passo do lado direito do seu desengonçado dono. Finalmente em frente a uma padaria que já estava fechada, mas com tudo quanto é lâmpada fosforescente acessa do lado de fora e com um enorme painel black ligth vermelho deparo-me frente a frente com a tal silhueta e reconheço a figurinha carimbada. Chama-se Martin, é um antigo conhecido e há algum tempo não nos víamos.
-Ei Martin! Quanto tempo cara.
- Marcelinho!
E por uns cinco minutos a mesma palhaçada: "Como você está?". "Sumiu ein". "Fazendo o quê da vida?"Até que percebi que o enorme pitbull estava ao meu redor.
-Puta veado! e esse cachorro? Não é perigoso andar com ele solto?
- Fica sossegado, o cachorro obedece aos meus comandos.
Realmente era um cachorro que impunha respeito, não só pelo fato da boca gigante que ocupava praticamente a cara toda, mas também pelo porte vigoroso. Parecia um filhote de touro com bocarra de hipopótamo e presas de lupus.
Martin estava meio chapado mas raciocinava perfeitamente. Ele sempre teve um certo magnetismo com os cães. Para ele o cachorro é o melhor amigo do homem, e avaliando o seu caso quiçá o único amigo de verdade que pode ter em toda vida. Sempre que nos encontrávamos havia algum desses fiéis amigos ao seu lado. Houve um tempo que era visto por todos os lugares acompanhado do Duke, outra vez foi o Sadann, o Braddok, e por aí vai... mas há um que permanece sempre em sua lembrança despertando seu mais sincero saudosismo, chamava-se Lobinho esse eu conheci com mais propriedade e realmente era um cachorro especial.
Lembro-me que o Lobinho acompanhava Martin e toda galera quando íamos nos shows toscos de punk rock nas garagens ou nos butecos de esquina, e ora, Lobinho bebia o mesmo vinho barato que bebíamos, ora, fumava por tabela a mesma erva. Era um cão vira latas, porém forte, cujo pêlo tinha um tom cinza e seu focinho assemelhava-se ao de um lobo. Todos gostavam do Lobinho, era como se fosse parte do rol de amigos. Mais tarde naquela noite Martin informou-me o triste fim do Lobinho:
-Foi estraçalhado por dois rottweilers numa disputa por uma cadela. - disse com olhos marejados. -Uma pena...a cadela era sarnenta e vadia.
-É uma pena mesmo...isso acontece com a juventude desses dias!
Mas voltando ao pit bull e à cena em frente a padaria. Olhei para o cão e perguntei ao seu dono:
- Tá certo...ele obedece seus comandos. Posso passar a mão nele?
- Claro! Ele é manso. - e sorriu.
Sendo assim, com toda confiança do mundo curvei-me um pouco, e alisei a pelugem curta e lisa e marrom do cão. Ele se manteve comportado cheirou-me o sapato e um pedaço da minha perna. E quando novamente ia afagar-lhe a cabeçorra eis que a boca gigante abre-se e uma língua aspera e molhada conseguiu como num passe de mágica lamber a minha mão inteira e um pedaço do braço. Pronto!o ritual de apresentação estava feito e a partir daquele momento não erámos desconhecidos, fiquei muito mais tranquilo.
Enquanto passava por esse ritual de aceitação Martin continuava a falar coisas sem sentido, ou devido ao fato de meu indíce de adrenalina ter ido às alturas naquele momento, só compreendi sua última frase:
- Marcelinho, vamos tomar uma cerveja?
- Puta cara...tá tarde pra caralho!
Mas depois de alguma insistência e também por estarmos com um dos mais fiéis guarda-costas, aceitei o convite.
-Aonde vamos? Nessa hora tenho certeza que já está tudo fechado. - disse meu trivial pessimismo cretino.
-Não! o bar do Gordo fica aberto a madruga toda.
O caminho até o bar do Gordo já era conhecido de ambos, pois alguns antigos amigos nossos moram na mesma rua desse tosco buteco.
-Merda! falei que tá tudo fechado!
-Vamos no bar do Paraíba.
Martin é um guia muito eficaz quando o assunto é "lugares pra se perder". Um dos melhores que já conheci.Fomos até o tal lugar. Martin, o pit bull e eu. A rua por vezes desertas às fracas lâmpadas, por vezes invadida por pequenos grupos de baderneiros chapados. Durante o percurso Martin relembrou algumas coisas de uns cinco ou seis anos atrás.
-Marcelinho, lembra daquela vez que num bate cabeça na minha casa você jogou a gaiola com o canário do meu irmão? Foi alpiste pra todo lado e o passarinho não retornou até hoje! ha ha ha ha
- Puxa cara! é verdade, faz tempo ein...nem lembrava! Só sei que estávamos curtindo Territorial Pissings ha ha ha ha ha.
Após essa breve recordação, foi coisa muito rápida, cerca de quatro minutos de diferença do bar do Gordo para o bar do Paraíba. Que merda! um depósito de destruição atrás do outro. Vejo um bar com a porta aberta. O primeiro a entrar foi o cachorro, com certeza ele ouviu nossa conversa e sabe reconhecer um bar e também é capaz de reconhecer um paraíba. O Paraíba estava curvado do lado de fora do balcão armazenando os vasilhames vazios no engradado, nem percebeu nossa presença. Instintivamente, sem que pudéssemos fazer algo, o pit bull foi de encontro ao cu do paraíba para cheirar-lhe o rabo e protagonizar outro ritual de apresentação, que é bem verdade, foi diferente do meu, mas foi uma apresentação. Como um foguete o Paraíba deu um salto no ar, virou-se e ralhou com o vigor típico de nordestino:
- Caralho! Tira esse cachorro daqui! Esse cachorro é seu? - perguntou olhando pra mim.
-É nosso... - disse a ele fazendo cara de babaca frouxo e "pianinho".
-Coloca ele pra fora agora! Como vocês andam com uma "fera" dessas solta por aí?
-Calma amigo, eu me responsabilizo pelo cachorro! O cachorro "corre pelo certo", e só obedece minhas ordens! - disse Martin num tom de voz mais digno de homem.
-Não quero saber! Prende ele lá fora ou nem vocês nem o cachorro ficarão aqui!
-É o cara tá certo Martin! prende ele ali na frente onde podemos vê-lo e vamos tomar nossa breja sossegados.
E assim foi feito, retirou a guia e a coleira que estavam em sua mochila e prendeu a "fera" num portão próximo de onde estávamos. Tomamos três cervejas sem nenhum alarde sob o olhar cismado do Paraíba e acompanhados de um senhor que aparentava ter uns sessenta anos de idade. O tal senhor já estava "alto", e pronunciava repetidas vezes as mesmas frases, mas eu não as entendia. Pra ser sincero, não fiz o menor esforço para decifrar o que ele dizia, pois parecia estar com uma piroca na boca enquanto falava coisas sobre isso ou aquilo. Até que o Paraíba aproxima-se e fala com certo ar de autoritarismo, direcionando o olhar para Martin:
- Você sabia que é proibido andar com um cachorro desses sem coleira por aí? Eu assisti no Datena e ele disse que é proibido!
-Cara, eu já disse que o cachorro é adestrado! ele atende SOMENTE aos meus pedidos. Se eu estiver numa situação de perigo ele ataca até o Bin Laden para me proteger! - disse Martin após tomar um gole de cerveja caprichado.
- Mas tenho certeza que com uma "azeitona" na cabeça ele não poderá defender ninguém! - percebi um tom de ameça desnecessário na voz do Paraíba.
Ainda bem que após essa provocação adentram ao bar dois sujeitos obrigando o Paraíba a dar-lhes o mínimo de atenção que todo freguês merece ter. Aproveito a deixa e procuro mudar de assunto, perguntando a Martin o paradeiro de antigos amigos que desde minha mudança a Bragança Paulista nunca mais os vi. De repente o pit bull começa a chorar feito um filhotinho desmamado deixando notório a todos os presentes que ele não estava gostando nada de ficar isolado e a alguns metros de distante de seu dono.
- Como é o nome desse chorão Martin? - perguntei enquanto enchia o copo novamente.
-Ainda não dei um nome para ele! Ganhei esse cachorro hoje de manhã, era de um cara que viajou pra Bahia!
-Porra! você não disse que adestrou o cachorro, ele não obedece aos seus comandos filho da puta?
-Fica de "boa". O cachorro não foi legal contigo? - disse e em seguida deu um sorriso.
-Temos que dar um nome a ele então - disse para Martin com olhar fixo no pit bull.
- Que acha de Bob?
- Não! sei lá...não combina com ele.
-Quixote então?
-Também não!
-Puta que pariu! ele continua chorando. Daqui a pouco a vizinha irá sair pra falar um monte de merda pra gente.
-Fica quieto chorão. - A única frase que o senhor sessentão falou e consegui entender.
-Taí o nome Marcelinho:Chorão! Igual o cara do Charlie Brow - disse Martin.
-Um cachorro desse tamanho chamado de chorão, definitivamente não combina.
-Mas e o cara do Charlie Brow? você já viu o tamanho dele, e a cara de mau encarado? - perguntou e foi alisar a cabeça do cachorro. - Então...todos o conhece como Chorão!
-Mas aquele cara não é forte como esse pit bull é, tampouco valente como esse pit bull deveria ser. O Chorão só é um gordo que se "acha" e tem cara de envocado porque qualquer um que tiver aquela cara feia também será.
-Mas que tal: Charles, ou melhor Charley que era como as putas chamavam o Charles Bukowski depois de uma certa intimidade?
-Tá certo! o nome dele é Charlie pra mim em homenagem ao Chorão e Charlie pra você em homenagem a esse cara.
Pedimos mais duas cervejas. E segundo palavras do Paraíba foi: a "saideira porque já tá na hora de fechar as portas".
E assim foi feito...nos despedimos do Paraíba de forma bem educada até. E o infeliz depois de toda aquela cena falou bem suavemente que adorava cachorros e percebeu que o "nosso" era manso e não iria fazer mal a ninguém.
Voltamos pelo mesmo caminho Martin, o pit bull, ou melhor, Charlie, o senhor sessentão e eu. Durante o caminho nos dedicamos a malhar o Datena:
-Você viu cara? O Datena influencia muitos Paraíbas por aí: "...andar com pit bull solto não pode. É proibido! eu vi no Datena."
-O Datena é um pau no cu. - disse o sessentão. - Aquilo não pode ser considerado jornalismo.
Já estava conseguindo compreender cada frase do tiozinho, acho que depois de cinco ou sete garrafas de cerveja todos falam a mesma língua. Paramos numa esquina e nos despedimos do sessentão. Ele curvou-se e começou a acariciar Charlie com ternura enquanto dizia que tinha três cachorros nomeando um a um e citando a raça deles. Era um senhor "manso" também, igual o Charlie...e só agora atento-me ao fato, por simples coerência, de que não perguntei o seu nome, muito menos se já havia brigado em sua juventude com dois caras por uma cadela vadia...
TO BE CONTINUED...."Charlie no bar da Deca"
O BAR DA DECA (postado dia 30/01/2009)
Pois bem, após a despedida do sessentão amigo Martin e eu ainda não dávamos a noite como perdida. Por esse motivo nos empenhamos em procurar um outro lugar que vendesse cerveja ou qualquer outro barato. Mas foi a procura mais fácil do mundo afinal eu estava acompanhado do guia mais eficaz quando o assunto é "lugares pra se perder ou se fuder".
-Agora vamos ao bar da Deca! - afirmou Martin. - Lá é firmeza tem até karaoke.
Descemos a avenida em direção ao nosso destino com a calma de um boêmio cansado. Martin, Charlie e eu. De longe dava para notar que o local estava bem mais animado do que o bar do Paraíba.
- Tá vendo Marcelinho? no bar daquele cara chato tínhamos que conversar baixinho. Que porra foi aquela? Era um bar ou uma igreja aquele muquifo?
E novamente, tendo como protagonistas Charlie e Martin, a mesma cena repetiu-se. Ordenaram para o cachorro ficar do lado de fora, e foram hostis conosco devido a recusa.
Apenas a dona do boteokê, uma senhora de aproximadamente quarenta e cinco anos com dois metros de bunda caida, mostrou-se gentil. Sempre que tinha oportunidade dava uma "pegadinha maliciosa" na minha cintura.
- O moço bonito você é daqui? Nunca te vi por esses lados! - perguntou pra mim.
- Não moça bonita! Estou morando em Bragança Paulista, mas virei aqui com frequência. -sai mudando de assunto.
-Martin! O Charlie não está com fome cara? Quando foi que você deu ração a ele?
-Puta merda! O cara ficou de levar a ração dele pela manhã, mas eu fui dar um rolê por aí e nem
voltei pra casa ainda.
-Caralho! Você é maluco! Imagina se o Charlie estiver faminto e ao invés de ver cinco dedos e uma mão só conseguir enxergar cinco salsichas e um pão de frios.
Martin apenas sorriu.
Calmamente foi até o balção e pediu a Dona Deca um "salgadinho Torcida". O cachorro comeu vorazmente um pacote inteiro daquela porcaria apimentada.E enquanto afagava sua cabeça pensei: "espero que o Datena esteja errado mesmo".
O pessoal sabia como se divertir naquele lugar e até que tinha um certo ar de cumplicidade entre eles. Havia um grupo de bolivas calados de um lado, um pessoalzinho jovem barulhento e uns tiozinhos também, porém interagiam uns com os outros na maior alegria.
Cerveja sem parar enquanto alguns cantavam no karaokê. Atentei-me ao fato de que as imagens que eram reproduzidas na tela eram bem peculiares e se adequavam ao cenário.
Nada daquelas fotografias de pôr do sol na praia ou alpes suiços, as imagens que apareciam no telão eram de crianças bolivianas com roupas coloridas, filhotes de cachorro e de gente comum com a cara de periferia se beijando.
Uma tiazinha lá pelas 03:00 da madruga cantou "Vento no Litoral" do Legião.
Puxa! essa música traz recordações pra mim. Curti aquela melodia e provei novamente o gosto amargo de saudosismo de bêbado.
Mas pra passar o clima fim de festa, logo após a tiazinha cantar Vento no Litoral Martin pede uma ficha e escolhe "Dias de Luta" do Ira.
Cantamos como loucos embriagados enquanto Charlie bebia água num pote de margarina furado. Depois berramos feito dois desesperados "Até Quando Esperar" do Plebe Rude. Logo em seguida nos despedimos dos Bolivas, depois da mulecada e finalmente dos tioziznhos e fomos cada um pra sua casa.
...É foi uma noite agradável e Charlie é meu novo amigo.

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