terça-feira, 3 de novembro de 2009

BURROS TINGIDOS


Uma reportagem engraçada transmitida no dia 08 de outubro em um daqueles jornais da madrugada fez-me refletir e analisar sob outra ótica dois temas muito intrínsecos à natureza do homem: a "Mentira" e o "Ódio". Nesse texto a mentira será explanada através do ato ou consequência -a farsa em si - e o ódio será exemplificado através da causa de toda a farsa, ou seja o motivo da pintura dos burrinhos.


A reportagem em questão relatou um episódio que ocorreu na cidade de Gaza, maior cidade dos territórios palestinos, onde para compensar a falta de duas zebras do zoológico local, dois burros foram pintados com listras pretas e brancas na tentativa de atender aos pedidos das crianças palestinas que nunca viram uma zebra de verdade (e até então nem uma zebra de mentira).

Cor do texto

No primeiro momento a matéria jornalística soou cômica, um amigo e eu rimos muito com a noticia, porém, após algum tempo sob uma outra ótica de análise a mesma noticia mostrou-se duplamente trágica.

Primeiro: devido as questões sócio-politicas que estão inseridas no real motivo da "falta de zebras" em Gaza.

E Segundo: "Até onde vai a capacidade do ser humano de mentir e/ou enganar seus semelhantes?"


Para a falta de zebras em Gaza temos uma cruel explicação caracterizada por conflitos árabe-israelense decorrentes da complicada situação política e geográfica entre esses povos, e a dominação do grupo fundamentalista islâmico Hamas em Gaza só piora a situação, configurando um estado crônico de bloqueio, onde falta alimento, remédio, água e combustível além da própria liberdade, e também configura uma condição aguda de holocaustro na cidade. O que explica a falta das zebras, segundo o dono das "zebras", Mohammed Bargouthi, haviam duas zebras legitimas no zoo Marah Land que fazia a alegria da criançada e encantavam os adultos, mas morreram injustamente devido a guerra entre Gaza e Israel .

Passado esse momento de reflexão sócio politico cabe-nos outra discussão importante: "a aceitação da mentira", sobretudo nos casos em que farsa intencional tem o poder de distrair, adiar ou amenizar a dor do próximo atribuindo assim à mentira possíveis aspectos relacionados à filantropia (amor à humanidade), o que na minha concepção, em qualquer caso, se assemelharia mais à pilantropia, (falsa filantropia/ pilantra).


No caso da reportagem em questão não há outro adjetivo ao dono das zebras, Sr. Mohammed Bargouthi, mais apropriado que pilantra, realmente as falsas zebras divertiram as crianças e

e encantaram os adultos, mas essas emoções são breves ilusões relacionadas à mentira, ora essa diversão e encantamento significa apenas que a mentira cumpriu exatamente seu papel: o de ludibriar e confundir as pessoas em nossa sociedade.


Não sou tão romântico a ponto de imaginar uma sociedade em que a mentira não existe, na qual a verdade é dita a todo tempo em todas as situações (eu sempre uso da mentira com supostos propósitos filantrópicos, e às vezes para conseguir beneficios próprios) e assumo que compartilho a idéia de Nietzsche, que considera s mentira como uma necessidade à nossa sobrevivência, para que possamos viver e superar a aspereza da realizada.

Porém, fica muito mais evidente a pilantropia envolvida na farsa de Gaza quando o preço cobrado pelo zoológico para exibir as zebras de araque são 15 dólares por pessoa (cerca de R$ 30). Segundo o dono das zebras falsas a operação para manchar os burros foi realizada com tintura importada da França e custou cerca de 40 mil dólares (cerca de R$ 80 mil).


Não julgo esse cara,tampouco o chamaria de pilantra, caso não houvesse oportunismo financeiro de sua parte...

- Mas meu amigo, quem irá acreditar em sua palavra de pilantra agora?





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